Circulam nas redes sociais vídeos afirmando que motoristas conseguiriam evitar a cobrança de pedágio eletrônico, também conhecido como free flow, passando na contramão pelos pórticos. A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) esclarece: a informação é falsa e seguir essa “dica” pode sair bem mais caro do que qualquer tarifa.
Os registros compartilhados no Instagram mostram condutores realizando a manobra irregular, mas mal sabem eles que o sistema identifica veículos independentemente do sentido em que trafegam. Ou seja, a cobrança é feita normalmente, inclusive nesses casos.
A desinformação sugere que trafegar no sentido oposto impediria a leitura dos equipamentos. Na prática, a tecnologia foi desenvolvida justamente para registrar placas, eixos e características dos veículos em qualquer direção. Portanto, não há brecha técnica a ser explorada.
A infração é real e a multa é pesada
Além de não escapar da tarifa, quem dirige na contramão comete infração prevista no artigo 186 do Código de Trânsito Brasileiro. As penalidades variam conforme o tipo de via:
Em vias de mão dupla: infração grave, 5 pontos na CNH e multa de R$ 195,23.
Em vias de sentido único: infração gravíssima, 7 pontos e multa de R$ 293,47.
Receber 7 pontos de uma só vez pode acelerar o alcance do limite de pontuação da habilitação, que varia de 20 a 40 pontos conforme o histórico do condutor, aumentando o risco de suspensão do direito de dirigir.
Quando a brincadeira vira caso de polícia
Além disso, a conduta pode ser enquadrada como direção perigosa, especialmente se houver risco imediato à vida de outras pessoas ou intenção de exibição. Nesses casos, a penalidade pode ser agravada, com multiplicação da multa e suspensão direta da CNH.
Há ainda consequências civis e criminais. Em caso de acidente, o motorista que trafega na contramão tende a ser responsabilizado pelos danos. Se houver vítimas, a situação piora e podem surgir crimes de trânsito.
Desinformação também é risco
De acordo com a Superintendência de Infraestrutura Rodoviária (SUROD) da ANTT, em caso de vídeos que incentivam fraude ao pedágio eletrônico, as informações estão sendo encaminhadas à Polícia Rodoviária Federal, e os envolvidos podem ser investigados por condutas como atentado à segurança viária ou tentativa de fraude.
A ANTT reforça que compartilhar conteúdos falsos não é apenas um problema informativo — pode incentivar comportamentos perigosos e ilegais. A recomendação é simples: antes de acreditar ou repassar qualquer “atalho milagroso”, vale conferir a veracidade.
No fim, a promessa de economia vendida por vídeos virais costuma terminar em prejuízo financeiro, penalidades legais e risco à vida. A informação correta continua sendo a rota mais segura.
Fonte: setcesp.org.br
Imagem utilizada: Reprodução internet
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JONATHAN OLIVEIRA – Advogado (OAB/PB, nº 22.560) e Administrador (CRA/PB nº 4265). Assessor Jurídico do SETCEPB – Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas do Estado da Paraíba, da FETRANSLOG NORDESTE – Federação das Empresas de Transportes de Cargas e Logística do Nordeste e da Procuradoria Geral do Município de João Pessoa/PB, Conciliador Trabalhista e Conselheiro Suplente do CETRAN/PB – Conselho Estadual